É possível estabelecer uma relação entre o texto e os atendimentos no
AEE – Atendimento Educacional Especializado.
Pensando de forma geral, e não ainda especificamente na Educação, as
pessoas têm uma tendência de generalizar, de enquadrar, de estigmatizar. Se
alguém se difere muito em relação a maioria em determinado aspecto, esta pessoa
é julgada, ou não é compreendida e plenamente aceita.
As pessoas diferentes têm que se enquadrar para serem iguais ou o mais
parecida possível com os outros para serem aceitas. Mas não deveria ser o
contrário? A sociedade não deveria se preparar, se informar, se sensibilizar,
para aceitar o diferente? Para ver que na verdade o mundo é diverso, e todos
somos diferentes, independentemente de termos ou não deficiência. Todos temos
um gosto, uma dificuldade etc. Acredito que ainda estamos longe disso mas, aos
poucos, a intenção está sendo caminhar nesta direção....
No texto é dito que o senhor Palomar, no início, pensava em modelos ideais,
“o mais perfeito, lógico, geométrico possível”. Porém, começou a ver que isto
era o ideal e não o real. Por isso, sua regra e sua visão foram se modificando
e ele começou a desejar uma grande variedade de modelos, pensando em adaptá-los
a realidade. Desta maneira, ele se deparou com a realidade que é heterogênea (e
não homogênea) e não padronizada. Ou seja, não havia modelos.
Na realidade, o que a sociedade precisa é ter a mente aberta para
aceitar a diversidade, de fato. Somos todos diferentes, pensamos e agimos
diferente!
Os profissionais do AEE deparam-se em seu cotidiano com as pessoas que
têm as mais diversas deficiências. E o seu papel é ajudá-las em suas
dificuldades e descobrir as suas potencialidades. Porque todos nós temos
potenciais a serem desenvolvidos. E precisamos descobrir qual, a partir do estímulo,
de estratégias e atividades. Realmente não nos focamos no que a pessoa não pode
fazer, mas o que ela pode fazer. E, antes de ter a deficiência, ela é uma
pessoa, e procuramos conhecer quem ela é.
Os profissionais do AEE têm este
olhar e esta preocupação, e não como alguém que apenas vai pensar em
estratégias para que as habilidades e competências dos alunos público alvo
deste atendimento sejam desenvolvidas, mas como pessoas que também tem muito a
aprender com os alunos com deficiência. Porque se partimos do princípio que
todos somos diferentes, isso significa
que um aprende com o outro, já que cada um tem algo bom a oferecer. E este
mundo heterogêneo é que é rico! E viva as diferenças!
Enquadrar as pessoas para que ajam igual as outras, é simplesmente negar
a diferença e não aceitar a pessoa na sua diversidade.
Finalmente, é importante ressaltar que o professor do AEE tem o papel de
formador. Ele não atua apenas na sala de apoio para os alunos com deficiência,
mas tem também que auxiliar os professores em suas salas de aula, bem como
conversar com todos os alunos e equipe
escolar, e contribuir com discussões sobre o tema deficiência, tirando todos de
sua zona de conforto, proporcionando momentos de reflexões sobra as práticas
pedagógicas, para que cada aluno seja visto em sua individualidade.

