Nos
textos, tanto da Mirlene Ferreira Macedo Damázio e Josimário de Paulo Ferreira
(Educação Escolar de pessoa com surdez) como no da coleção A Educação Especial
na Perspectiva da Inclusão Escolar – Abordagem Bilíngue na Escolarização de
pessoas com surdez, são discutidos alguns
aspectos relacionados a educação escolar dos alunos com surdez.
No
primeiro texto, é dito sobre o fato de muitas vezes os alunos com surdez serem
reduzidos a este mundo surdos, e por eles próprios quererem. Os autores afirmam
que não legitimam a cultura surda, identidade surda, língua surda e sujeito
surdo. Eles acreditam que isto só os fazem se separarem cada vez mais das pessoas
ouvintes, e não colabora para romper o embate que existe faz muito tempo entre
gestualistas e oralistas. Além disso, a ruptura com o mundo ouvinte não
respeita as diferenças das pessoas com surdez, ou seja, não é benéfica.
Os
autores acreditam que canaliza-se / foca-se o problema como sendo a Língua,
deixando de investir nas potencialidades dos alunos com surdez, já que o
sucesso escolar não depende apenas da língua, assim como o insucesso escolar,
ou o fracasso escolar, geralmente, segundo eles, não está relacionado a língua,
mas as práticas pedagógicas ineficientes.
Fala-se
muito da diferença das pessoas com surdez e não de suas potencialidades, que
deveriam ser o foco para uma educação inclusiva de maior qualidade. Além disso,
o aluno com surdez não é considerado deficiente, mas diferente, na Proposta
Bilíngue.
Os
autores acreditam que os alunos com surdez podem desenvolver os outros sentidos
melhor e, se quiserem, muitos podem até aprender a falar, mostrando mais uma
vez uma desconstrução da defesa relacionada ao mundo e a cultura surda. Eles
também creem que as pessoas com surdez não são estrangeiras em seu próprio
país, elas apenas tem uma língua diferente, com uma estrutura própria. Língua
esta que não é subordinada a outra ou vice versa, o que significa que não é
preciso aprender o português através da LIBRAS ou vice versa.
Nesta
proposta bilíngue de educação para os alunos com surdez, ambos os textos – o primeiro
e o Abordagem Bilíngue na Escolarização de Pessoas com Surdez – explicam sobre
o Atendimento Educacional Especializado para Pessoa com Surdez - AEE OS.
No
AEE PS as diferenças são valorizadas, levadas em consideração e trabalhadas, no
contra turno ao das aulas regulares, com a turma do ensino comum. Além disso, são trabalhadas a
LIBRAS e o Português simultaneamente em sala, a fim de que o aluno com surdez
tenha fluência nas duas e possa utilizar cada uma de acordo com o contexto e
com sua necessidade.
O
AEE tem três momentos: AEE de LIBRAS, AEE em LIBRAS e AEE de Língua Portuguesa.
O
AEE de LIBRAS ensina a LIBRAS, para que o aluno tenha fluência nesta língua . O
conteúdo na realidade está relacionado a estrutura e gramática da língua, como
por exemplo seus sinais, parâmetros, configuração de mãos, ponto de
articulação, movimento, expressão facial e corporal, estudo de termos
técnicos-científicos nas escolas. O AEE de LIBRAS dever ser ministrado
preferencialmente por professor com surdez.
O
AEE em LIBRAS reforça os conteúdos de todas as matérias trabalhadas na classe
comum, porém, utilizando a LIBRAS como língua de instrução, e fazendo de tudo
para que o conteúdo seja compreendido pelo aluno com surdez de fato, através do
uso de imagens, maquetes, fotos, com a parceria com os professores da sala
comum.
E,
finalmente, o AEE de Língua Portuguesa, que ensina a Língua Portuguesa aos
alunos com surdez, considerando preferencialmente o português em sua modalidade
escrita, tendo como objetivo a escrita , a ampliação do vocabulário, através
das frases, textos, leituras e interpretações de diversos gêneros textuais,
jogos, brincadeiras etc.
Desta
forma, está garantida para o aluno com surdez uma educação de qualidade e que
invista nele e em suas potencialidades, e veja a diferença como algo positivo.
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