“Surdocegueira é uma deficiência
única que requer uma abordagem específica para favorecer a pessoa e um sistema
para dar este suporte”. As pessoas com surdocegueiras, segundo McInnes (1999),
podem ser indivíduos que eram cegos e se tornaram surdos, indivíduos que eram
surdos e se tornaram cegos, indivíduos que se tornaram surdocegos e indivíduos
que nasceram ou adquiriram surdocegueira precocemente, ou seja, não tiveram a
oportunidade de desenvolver a linguagem, habilidades comunicativas ou
cognitivas nem base conceitual sobre a qual possam construir uma compreensão de
mundo.
Muitos indivíduos com
surdocegueira congênita ou adquirida precocemente têm deficiências adquiridas
como físicas e intelectuais. Além disso, dependendo da idade em que a
surdocegueira se estabeleceu, ela pode ser pré-linguística ou pós-linguística.
Já em relação a deficiência
múltipla, “são consideradas pessoas com def. múltipla aquelas que têm mais de
uma deficiência associada. É uma condição heterogênea que identifica diferentes
grupos de pessoas, revelando associações diversas de deficiências que afetam,
mais ou menos intensamente, o funcionamento individual e o relacionamento
social “ (MEC/SEESP,2002).
As necessidades dos alunos com
def. múltipla e surdocegueira são, entre outras, a comunicação e o
posicionamento. Estas pessoas precisam
primeiramente aprender a se comunicar, aprender que os objetos são nomeados,
que precisamos da linguagem para sobreviver. Além disso, é fundamental um bom
posicionamento parra que consiga se comunicar adequadamente. Elas precisam se perceber
e perceber o mundo exterior. É preciso ter interação com o meio ambiente e
pensar em recursos para este fim, como por exemplo objetos de referência, caixa
de antecipação das atividades etc.
Para aquisição da comunicação, as
pessoas surdocegas aprendem a técnica da “mão-sobre-mão”, onde a mão do
professor é colocada em cima da mão do aluno, de forma a orientar seu
movimento, ou a mão sob mão, onde a mão do professor é posta embaixo da mão do
aluno de modo a orientar o seu movimento, mas não controlá-lo, convidando a
pessoa com deficiência a explorar com segurança.
Para a pessoa com def. múltipla,
é importante que tenha alguém para mediar seu contato com o meio. Dessa forma,
haverá códigos entre o def. múltiplo e o receptor. O objetivo é ajudar a pessoa
a explorar o ambiente, para sempre desenvolver maior autonomia.